Diante de toda a chuva caída, comemoro a vinda de outras águas a terra em que meus pés pisam todo dia. Falo como se metáforas fossem suficientes pra traduzir ou induzir ou distrair o que eu sinto. Ou o que eu não sinto. Ou não sinto mais nada. Deve ser isso, não sinto nada, por nada, por ninguém, nada por alguém. Não que isso seja bom, mas tem seu lado bom, tudo tem. Vejamos então… não me preocupo, não me intrometo, não falo o que penso, não penso, não falo. Não digo nada, não sinto nada. Vejo, só vejo, não enxergo, não faz diferença, não sinto nada. Vejo, enxergo, sinto. Mas no fundo, não sinto, não consigo, não quero. Ninguém quer.
Uma dica de sobrevivência para o mundo real que eu vou dar. Pega a tua mais temida inimiga e faça dela o seu porto, suas asas, seus pés, sua voz. Transforme-a numa bailarina de pano e dance, ensine-a a dançar, deixa-a dançar sozinha, assista, aplauda, é a sua criação, é você ali dançando para você mesmo, você está no controle. Ela não te controla mais, não mais, porque você não sente, não quer, não consegue. A vida, segue. A vida segue dançando, dance vivendo, feche os olhos, abra os olhos, o mundo é real só se você não acreditar que pode ser diferente, você sente, você pode, você consegue.
Once Upon A Time
Nisso olhei para o muro, o lugar em que ela estivera riscando, escrevendo ou esburacando, como dissera a mãe. Vi uns riscos abertos, e lembro-me o gesto que ela fez para cobri-los. Então quis vê-los de perto, e dei um passo. Capitu agarrou-me, mas, ou por temer que eu acabasse fugindo, ou por negar de outra maneira, correu adiante e apagou o escrito. Foi o mesmo que acender em mim o desejo de saber o que era […]
BENTO
CAPITOLINA
Dom Casmurro - Machado de Assis
Machado de Assis em “Dom Casmurro”